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Indústria investe em geração de energia para reduzir custos

 

 

Abalada pela disparada nos preços da energia, a indústria busca alternativas para driblar o aumento de custos com o insumo. Entre as saídas, destacam-se projetos que visam o consumo mais eficiente e a cogeração.

 

A demanda por esse tipo de serviço cresce. Na Ecogen, que pertence ao grupo Mitsui, as solicitações para estudos de projetos de geração sobem 50% neste ano, diz Pedro Silva, gerente de desenvolvimento de novos negócios.

 

“As empresas buscam redução de custo e uma matriz mais eficiente. Elas não querem estar presas a somente uma fonte de energia”, diz.

 

Um dos projetos que está saindo do papel é a nova fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP). A unidade terá um sistema de cogeração, em que motores gerarão energia elétrica e térmica sob a forma de refrigeração.

 

O projeto, feito pela Ecogen em parceria com a GE, que fornecerá as máquinas, vai propiciar uma eficiência energética próxima de 85%. Isso significa que 85% do combustível —neste caso, o gás natural—, será convertido em energia (elétrica ou térmica). Na geração térmica tradicional, na melhor das hipóteses, o índice chega a 60%, segundo José Bruzadin, gerente de vendas da divisão de geração distribuída da GE.

 

Essa diferença ocorre porque, no modelo tradicional, o gás é convertido apenas em eletricidade. “O que seria perdido é usado para fazer aquecimento ou refrigeração.”

Bruzadin afirma que, na GE, a demanda por motores e turbinas de cogeração também cresce 50% neste ano.

 

A Siemens, fornecedora de turbinas, também vê maior interesse na geração distribuída, principalmente de indústrias menores, de 2 a 3 MW (megawatt) de potência, e fabricantes de papel e celulose, segundo Ricardo Lamenza, diretor geral da divisão Power da Siemens Brasil.

 

CUSTO

A principal barreira à instalação de projetos de cogeração é o custo. Segundo a GE, o investimento total mínimo é de US$ 800 por kW (quilowatt) instalado.

“A grande oportunidade de ganhos de eficiência está associada a investimentos, e hoje há dificuldades para isso”, diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace (associação dos grandes consumidores industriais de energia).

 

É por essa razão que apenas 11% dos pedidos recebidos pela Ecogen saem do papel. “A crise econômica gera indecisão”, afirma Silva.

 

Mas, para André Marino, vice-presidente de indústria da Schneider Electric, é possível reduzir a conta sem gastar muito. Entre as possíveis ações, ele cita melhorias na gestão dos processos industriais e planejamento para a compra de energia. No primeiro semestre, a

 

Schneider recebeu o dobro de pedidos de projetos de soluções em energia ante igual período de 2014.

 

Fonte – Folha de S.Paulo

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